Uma das perguntas mais frequentes que recebo no consultório é: “Dr. Bruno, eu preciso operar a pálpebra superior ou a inferior?” Muitas pessoas não sabem que blefaroplastia superior e inferior são procedimentos tecnicamente diferentes, com indicações específicas e recuperações distintas. E entender essa diferença é fundamental para escolher o melhor caminho para rejuvenecer o olhar.

A blefaroplastia continua sendo um dos procedimentos mais procurados na cirurgia plástica facial. Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) de 2025 mostram que a blefaroplastia ultrapassou pela primeira vez a lipoaspiração como cirurgia estética mais realizada no mundo, com mais de 2,1 milhões de procedimentos — um crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior.

Neste artigo, vou explicar as diferenças práticas entre os dois tipos de blefaroplastia, quando cada uma pode estar indicada e o que você pode esperar de cada procedimento.

Blefaroplastia superior: quando a pálpebra “pesa”

A blefaroplastia superior trata o excesso de pele que se acumula na pálpebra de cima. Com o tempo, essa pele pode cair sobre o olho, criando aquele aspecto de pálpebra pesada ou “encapotada”, que deixa o olhar cansado e, em alguns casos, pode interferir até no campo de visão periférico.

O que eu observo na minha prática é que esse excesso costuma ser resultado do envelhecimento natural da pele, da genética e também da ação da gravidade. Algumas pessoas apresentam essa característica mais cedo, outras só percebem a mudança depois dos 50 anos.

Como é feita a cirurgia

Na blefaroplastia superior, a incisão é feita no sulco natural da pálpebra — aquela linha que se forma quando você abre o olho. Durante o procedimento, retiro o excesso de pele e, quando necessário, uma pequena porção de gordura que pode estar projetada. O músculo orbicular também pode ser tratado de forma conservadora, sempre com o objetivo de preservar a naturalidade.

A grande vantagem dessa localização da incisão é que a cicatriz fica escondida na própria dobra da pálpebra. Com o tempo, ela costuma se tornar bastante discreta.

Recuperação da blefaroplastia superior

A recuperação costuma ser rápida. O inchaço e os roxos geralmente atingem o pico entre o segundo e o terceiro dia e começam a melhorar na primeira semana. Os pontos são removidos entre o quinto e o sétimo dia, e muitos pacientes já retomam o convívio social entre 10 e 14 dias.

O resultado final se estabelece entre três e seis meses, quando a cicatriz amadurece completamente e o inchaço residual desaparece.

Blefaroplastia inferior: mais do que remover bolsas

A blefaroplastia inferior é tecnicamente mais complexa. O objetivo não é apenas tratar as bolsas de gordura, mas melhorar toda a transição entre a pálpebra e a bochecha, evitando aquele aspecto de olho “cavado” ou “afundado” que pode acontecer quando a gordura é simplesmente retirada.

O que mudou muito nos últimos anos — e isso é sustentado por estudos na área — é que passamos de uma abordagem de “remoção” para uma abordagem de “reposicionamento”. Em vez de apenas retirar a gordura, na maioria dos casos eu reposiciono essa gordura sobre o rebordo ósseo da órbita, preenchendo o sulco que se forma entre a pálpebra e a bochecha. Isso pode suavizar o contorno e manter o volume da região.

As duas vias de acesso

Existem duas formas de acessar as bolsas de gordura na pálpebra inferior:

  • Via transconjuntival: a incisão é feita por dentro da pálpebra, sem deixar cicatriz visível externamente. Pode ser indicada para pacientes mais jovens ou aqueles que têm bolsas mas a pele ainda está com boa qualidade e não apresenta excesso significativo.
  • Via transcutânea (subciliar): a incisão é feita logo abaixo da linha dos cílios. Essa via permite tratar não só a gordura, mas também remover o excesso de pele quando há flacidez ou rugas marcadas. A cicatriz fica discreta, acompanhando a linha natural.

A escolha entre uma via e outra depende da avaliação individual. Na consulta, examino a qualidade da pele, a quantidade de gordura herniada, o tônus da pálpebra e a presença de sulcos ou depressões.

Recuperação da blefaroplastia inferior

A recuperação da pálpebra inferior pode ser um pouco mais prolongada do que a superior. O inchaço tende a ser mais persistente, e pequenas assimetrias temporárias podem ocorrer nas primeiras semanas — algo que faz parte do processo de cicatrização.

Em geral, o retorno social acontece entre 10 e 15 dias, mas o resultado continua evoluindo por semanas. A maturação completa da cicatriz e a estabilização do contorno ocorrem em torno de três a seis meses.

Posso fazer as duas ao mesmo tempo?

Sim, e na verdade é bastante comum combinar a blefaroplastia superior e inferior em um único procedimento. Isso permite um rejuvenescimento mais completo do olhar e evita aquele descompasso visual que às vezes acontece quando apenas uma região é tratada.

A combinação das duas cirurgias costuma durar entre 60 e 90 minutos, dependendo da complexidade de cada caso. A anestesia pode ser local com sedação ou geral, conforme a extensão do procedimento e o perfil do paciente.

O que sempre reforço é que o planejamento precisa ser individualizado. Algumas pessoas realmente precisam apenas de uma das blefaroplastias; outras se beneficiam da combinação.

Como saber qual blefaroplastia eu preciso?

Essa é uma avaliação que só pode ser feita presencialmente, em consulta. Durante a avaliação, analiso alguns pontos específicos:

  • Quantidade e localização do excesso de pele
  • Presença e volume das bolsas de gordura (superior e inferior)
  • Qualidade da pele (elasticidade, rugas, flacidez)
  • Tônus do músculo orbicular e da pálpebra inferior
  • Profundidade do sulco entre pálpebra e bochecha (tear trough)
  • Posição da pálpebra inferior e necessidade de reforço estrutural (cantopexia)

Às vezes, o paciente chega achando que precisa operar a pálpebra superior, quando na verdade o que mais incomoda é a bolsa inferior. Outras vezes, é o contrário. Por isso, a avaliação criteriosa é essencial.

Perguntas frequentes

A cicatriz da blefaroplastia superior fica visível?

Quando a incisão é bem posicionada no sulco palpebral, a cicatriz fica escondida na dobra natural da pálpebra. Com o tempo e os cuidados adequados — especialmente proteção solar —, ela costuma se tornar bastante discreta na maioria dos casos.

A blefaroplastia inferior sempre deixa cicatriz externa?

Não. Se a via escolhida for a transconjuntival, a incisão é feita por dentro da pálpebra e não há cicatriz visível externamente. Já a via transcutânea (subciliar) deixa uma cicatriz discreta logo abaixo dos cílios, que costuma ficar pouco perceptível após a cicatrização completa.

Quanto tempo até voltar ao trabalho?

Isso varia de pessoa para pessoa e também do tipo de trabalho. Em geral, para atividades que não exigem esforço físico, o retorno pode ocorrer entre 7 e 14 dias. Atividades que envolvem esforço intenso ou exposição a ambientes muito empoeirados ou com vento costumam ser liberadas após 30 dias.

O resultado é permanente?

O resultado da blefaroplastia costuma durar muitos anos — em média, entre 10 e 15 anos. Mas é importante lembrar que o envelhecimento continua acontecendo. Com o tempo, pode haver novo acúmulo de pele ou gordura, mas geralmente de forma menos intensa do que antes da cirurgia. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

A importância da avaliação individualizada

O que diferencia um bom resultado de blefaroplastia não é apenas a técnica cirúrgica, mas o planejamento personalizado. Cada rosto tem suas proporções, cada pálpebra tem suas características, e cada paciente tem suas expectativas.

Na minha prática, busco sempre resultados naturais e elegantes, que rejuvenesçam o olhar sem alterar a expressão ou criar aquele aspecto “operado”. A blefaroplastia — seja superior, inferior ou combinada — pode fazer você parecer descansado e renovado, mas ainda sendo você.

Se você está considerando uma blefaroplastia e quer entender qual o melhor caminho para o seu caso, agende uma consulta. Vamos avaliar juntos suas necessidades e desenhar o planejamento mais adequado para alcançar o resultado que você deseja, sempre com segurança e naturalidade.

Quer conversar sobre o seu caso? Agende uma avaliação presencial em Curitiba ou online, onde você estiver.

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Dr. Bruno Pagnoncelli
Cirurgião Plástico — CRM-PR 23.223 | RQE 2867
Curitiba – PR

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta
médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um cirurgião plástico. Resultados variam de pessoa para pessoa.