A lipoaspiração está entre os procedimentos mais procurados em cirurgia plástica, mas também é um dos que mais gera dúvidas. Na minha prática diária, percebo que muitas dessas dúvidas vêm de informações desencontradas que circulam na internet e nas redes sociais. Por isso, decidi esclarecer os principais mitos lipoaspiração e mostrar o que realmente pode ser observado sobre esse procedimento de contorno corporal.

Mito 1: A lipoaspiração é um método para emagrecer

Mito. Esse é provavelmente o equívoco mais comum que encontro no consultório. A lipoaspiração não é uma cirurgia para perda de peso nem um tratamento para obesidade. O objetivo do procedimento é remodelar o contorno corporal, removendo depósitos de gordura localizada que resistem à dieta e aos exercícios físicos.

O que eu observo é que os pacientes costumam apresentar resultados satisfatórios quando já estão próximos do peso ideal e buscam refinar o contorno de áreas específicas. Na minha abordagem, o foco está em criar linhas naturais e harmoniosas, e não simplesmente remover o máximo de gordura possível.

Mito 2: A gordura volta em outras regiões do corpo

Verdade parcial. As células de gordura removidas durante a lipoaspiração não se regeneram naquela área tratada. Isso é um fato. Porém, se houver ganho de peso significativo após o procedimento, as células adiposas remanescentes em outras regiões do corpo podem aumentar de tamanho.

Estudos recentes sugerem que, em casos de ganho de peso após a cirurgia, pode ocorrer uma redistribuição de gordura para áreas não tratadas. Por exemplo, se fizemos lipoaspiração no abdômen e nas coxas, um ganho de peso posterior pode resultar em maior acúmulo em braços, costas ou até mesmo na região visceral (ao redor dos órgãos internos).

É por isso que sempre reforço: a manutenção dos resultados depende de um estilo de vida equilibrado, com alimentação saudável e atividade física regular. O procedimento pode transformar o contorno, mas o cuidado contínuo é fundamental.

Mito 3: Quanto mais gordura retirar, melhor o resultado

Mito. Na verdade, é justamente o contrário. Retirar volumes excessivos de gordura aumenta os riscos de complicações e não necessariamente melhora o resultado estético. O que busco é um trabalho de escultura, não de remoção em massa.

Existem limites de segurança estabelecidos por sociedades médicas internacionais. O foco deve estar na qualidade do contorno, na harmonia das proporções e na preservação de tecidos. Procedimentos mais agressivos tendem a gerar mais trauma, edema prolongado e recuperação mais longa.

A tendência atual, reforçada por estudos publicados no Aesthetic Surgery Journal em 2025, é valorizar técnicas que preservam estruturas anatômicas importantes, reduzem o trauma cirúrgico e favorecem recuperação mais confortável.

Mito 4: A lipoaspiração elimina celulite e flacidez

Mito. A celulite é uma alteração da arquitetura do tecido subcutâneo, com bandas fibrosas que tracionam a pele para baixo, criando aquele aspecto irregular. A lipoaspiração remove gordura, mas não trata essas bandas fibrosas, portanto não elimina celulite.

Quanto à flacidez, a situação é semelhante. Se a pele já apresenta perda de elasticidade antes da cirurgia, a remoção de gordura pode até evidenciar mais essa flacidez. Em casos assim, costumo indicar procedimentos complementares ou alternativos, como abdominoplastia ou tecnologias de radiofrequência, dependendo da avaliação individual.

Na minha prática, utilizo tecnologias como o Morpheus (microagulhamento com radiofrequência) e o Quantum para trabalhar a qualidade da pele em conjunto com o contorno, quando indicado.

Mito 5: Só pessoas jovens podem fazer lipoaspiração

Mito. A idade, por si só, não é uma contraindicação para a lipoaspiração. O que importa é a condição de saúde geral do paciente, a qualidade da pele e as expectativas realistas em relação aos resultados.

Pacientes mais maduros podem se beneficiar do procedimento, especialmente quando combinamos técnicas que levam em conta as características específicas de cada faixa etária. O que pode variar é a abordagem: em pessoas com pele menos elástica, por exemplo, posso ser mais conservador na quantidade de gordura removida ou sugerir procedimentos associados.

Mito 6: A lipoaspiração é perigosa e tem muitos riscos

Verdade relativa. Como qualquer procedimento cirúrgico, a lipoaspiração envolve riscos, mas quando realizada por cirurgião plástico qualificado, em ambiente adequado e com paciente bem selecionado, os índices de complicações costumam ser baixos.

Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram que a lipoaspiração continua sendo um dos procedimentos mais realizados globalmente, com perfil de segurança bem estabelecido. Em 2024, ela apareceu como o segundo procedimento cirúrgico mais comum, atrás apenas da blefaroplastia.

O que realmente influencia a segurança são fatores como: seleção adequada do paciente, técnica utilizada, volume aspirado, tempo cirúrgico, tipo de anestesia e cuidados pós-operatórios. Na minha rotina em Curitiba, sigo protocolos rigorosos de segurança em todas as etapas.

Mito 7: A recuperação é muito longa e dolorosa

Depende da técnica. Com as técnicas modernas e uma abordagem que prioriza a preservação de tecidos, a recuperação costuma ser mais confortável do que muitos imaginam.

Na minha prática, trabalho com técnicas que buscam minimizar o trauma cirúrgico, o que geralmente resulta em menos inchaço e retorno gradual às atividades. O tempo de recuperação varia conforme a extensão do procedimento e as características de cada paciente.

Claro que existe desconforto no pós-operatório imediato e é necessário usar cinta modeladora pelo tempo recomendado, mas com o manejo adequado e seguindo as orientações, a recuperação tende a transcorrer de forma adequada.

Mito 8: Qualquer médico pode fazer lipoaspiração

Mito. A lipoaspiração é um procedimento da especialidade de cirurgia plástica. O Conselho Federal de Medicina, através da Resolução 1.711, determina que apenas cirurgiões plásticos devidamente habilitados devem realizar esse tipo de cirurgia.

Infelizmente, ainda vejo casos de procedimentos realizados por profissionais sem a formação adequada, muitas vezes em ambientes impróprios. Isso aumenta significativamente os riscos de complicações graves. Por isso, sempre oriento: verifique se o profissional é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e se o procedimento será realizado em ambiente com infraestrutura completa.

Mito 9: Lipoaspiração melhora problemas de saúde relacionados à obesidade

Mito. Embora alguns estudos preliminares tenham sugerido possíveis benefícios metabólicos, a lipoaspiração não é considerada um tratamento para condições de saúde relacionadas ao excesso de peso, como diabetes ou hipertensão.

A remoção de gordura subcutânea (aquela logo abaixo da pele) é diferente da redução de gordura visceral (ao redor dos órgãos), que está mais associada a riscos metabólicos. Estudos recentes inclusive alertam que, em alguns casos, pode haver redistribuição para a região visceral após o procedimento, especialmente se não houver mudança de hábitos.

Mito 10: Todas as técnicas de lipoaspiração são iguais

Mito. Existem diferentes técnicas e tecnologias disponíveis: lipoaspiração tradicional, vibrolipoaspiração, ultrassom, laser, entre outras. Cada uma tem suas características, indicações e limitações.

O que importa não é apenas a tecnologia, mas sim o conhecimento do cirurgião para escolher a abordagem mais adequada para cada caso. Na minha prática, avalio cuidadosamente cada paciente para definir a melhor estratégia, sempre priorizando segurança e naturalidade dos resultados.

Perguntas frequentes

Quanto tempo duram os resultados da lipoaspiração?

Os resultados podem ser duradouros, desde que o paciente mantenha peso estável e hábitos saudáveis. As células de gordura removidas não voltam, mas as remanescentes podem aumentar se houver ganho de peso significativo.

É possível fazer lipoaspiração em várias áreas ao mesmo tempo?

Sim, é possível e frequentemente realizado. Porém, existe um limite de segurança em relação ao tempo cirúrgico e volume aspirado. A decisão depende da avaliação individual de cada caso durante a consulta.

Preciso emagrecer antes de fazer a lipoaspiração?

O ideal é estar próximo do peso desejado antes do procedimento. A lipoaspiração funciona melhor como refinamento do contorno, não como método de emagrecimento. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

A gordura retirada pode ser reaproveitada?

Sim, em muitos casos a gordura pode ser purificada e utilizada para enxertia em outras regiões, como nos glúteos ou para harmonização facial. Essa possibilidade é avaliada durante o planejamento cirúrgico.

Entender os mitos lipoaspiração e as verdades sobre o procedimento é fundamental para tomar uma decisão consciente e ter expectativas realistas. Cada paciente é único e merece uma avaliação personalizada para definir se a lipoaspiração é o procedimento mais indicado e qual a melhor abordagem para seu caso específico.

Se você tem dúvidas ou quer saber se a lipoaspiração pode ser adequada para você, agende uma consulta. Seja presencialmente em Curitiba ou online, posso avaliar seu caso com cuidado e esclarecer todas as suas questões.

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Dr. Bruno Pagnoncelli
Cirurgião Plástico — CRM-PR 23.223 | RQE 2867
Curitiba – PR

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta
médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um cirurgião plástico. Resultados variam de pessoa para pessoa.