Quando você decide fazer uma cirurgia plástica, uma das escolhas mais importantes — talvez a que mais impacta o resultado e a sua segurança — é a escolha do cirurgião. E aqui, na minha prática clínica, percebo que muitas pacientes ainda têm dúvidas sobre como escolher cirurgião plástico de forma criteriosa, indo além das fotos bonitas nas redes sociais ou da indicação de uma conhecida.

Neste post, vou compartilhar os critérios técnicos e objetivos que você pode — e deve — conferir antes de marcar uma consulta ou, especialmente, antes de fechar uma cirurgia. São pontos que podem parecer burocráticos, mas que fazem toda a diferença para a sua segurança e para o resultado final.

Verifique o título de especialista em cirurgia plástica

O primeiro passo, e talvez o mais importante, é confirmar se o médico é realmente especialista em cirurgia plástica. Não basta ser médico; é preciso ter formação específica, reconhecida e comprovada.

No Brasil, isso é verificado pelo RQE (Registro de Qualificação de Especialista), que é o registro público que identifica a especialidade médica reconhecida. Você pode consultar o CRM do médico no site do Conselho Regional de Medicina do seu estado e checar se ele possui RQE em Cirurgia Plástica.

A formação inclui treinamento em cirurgia de no mínimo cinco anos, sendo três deles em cirurgia plástica, além de aprovação em provas teóricas e práticas. É um caminho longo, exigente e que garante preparo técnico amplo.

Outro ponto relevante é a associação à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Cirurgias plásticas e procedimentos estéticos invasivos devem ser conduzidos exclusivamente por médicos habilitados, com formação específica reconhecida. A SBCP reúne cirurgiões que passaram por residência credenciada e mantêm atualização constante.

Estrutura hospitalar e credenciamento do local da cirurgia

Outro critério fundamental é onde a cirurgia será realizada. Um local credenciado deve atender padrões rigorosos de equipamentos, segurança de sala cirúrgica, pessoal e credenciais do cirurgião. Cirurgias plásticas realizadas por cirurgiões certificados em instalações credenciadas costumam apresentar bom histórico de segurança.

Na minha prática, opero em ambiente hospitalar com toda a infraestrutura necessária: centro cirúrgico equipado, equipe de enfermagem treinada, retaguarda para qualquer eventualidade. A ISAPS defende que instalações atendam padrões rigorosos em infraestrutura, equipe, equipamentos, higiene e protocolos de emergência — onde quer que a cirurgia seja realizada — buscando resultados mais seguros para os pacientes.

Pergunte ao cirurgião onde será feita a cirurgia e se o local possui acreditação ou credenciamento. Essa informação costuma estar disponível no site ou pode ser solicitada na consulta. É um direito seu saber e um dever do profissional informar.

Anestesista qualificado e tipo de anestesia

A anestesia é parte essencial da cirurgia e merece a mesma atenção. O anestesista deve ser médico especialista, com RQE em Anestesiologia. Em todos os meus procedimentos, trabalho com anestesistas experientes, que avaliam a paciente antes da cirurgia, acompanham todo o procedimento e monitoram a recuperação.

Estudos prospectivos recentes sugerem que, em casos consecutivos ambulatoriais gerenciados com protocolos padronizados de anestesia intravenosa ajustada por profundidade, a anestesia pode ser administrada com segurança, com boa satisfação, baixas taxas de memória intraoperatória persistente e recuperação adequada.

Durante a consulta, é importante que o cirurgião explique qual tipo de anestesia será utilizado (local, sedação ou geral) e por quê. Essa conversa também deve incluir os riscos, ainda que raros, associados ao procedimento e à anestesia.

Exames pré-operatórios e avaliação clínica completa

Antes de qualquer cirurgia, é indispensável realizar exames pré-operatórios. Antes de uma cirurgia é necessária uma investigação médica completa, que inclua testes diagnósticos. Isso pode incluir hemograma, coagulograma, glicemia, função renal, eletrocardiograma, entre outros, de acordo com cada caso.

Esses exames ajudam a identificar condições que podem aumentar riscos cirúrgicos ou que exigem cuidados adicionais. Na minha rotina, só agendo cirurgia após revisão criteriosa de todos os exames e, quando necessário, liberação de outros especialistas (cardiologista, endocrinologista, por exemplo).

A SBCP orienta seus membros a seguirem critérios rigorosos baseados na complexidade da cirurgia, tipo de anestesia e tempo de internação. A avaliação médica pré-operatória é indispensável para identificar fatores de risco individuais.

Consulta presencial: essencial para planejamento e segurança

Outro ponto que considero inegociável: a consulta presencial. Por mais que a telemedicina tenha seu espaço (uso bastante para acompanhamento pós-operatório de pacientes que moram longe), a avaliação inicial precisa ser feita pessoalmente.

A paciente precisa considerar consulta presencial, exames, tempo de permanência, retornos, risco de intercorrências e suporte após voltar para casa. É na consulta que examino a anatomia da paciente, converso sobre expectativas realistas, explico as técnicas, mostro limitações e construo um planejamento individualizado.

Desconfie de cirurgiões que indicam procedimentos apenas por fotos enviadas por WhatsApp ou que fazem promessas sem nem ter examinado você. Cada corpo é único, e o planejamento cirúrgico precisa respeitar isso.

Sinais de alerta: o que deve acender o sinal vermelho

Algumas situações devem servir de alerta na hora de escolher um cirurgião plástico:

  • Promessas de resultado garantido: Se um cirurgião plástico promete um resultado garantido e negligencia mencionar riscos, isso é uma clara bandeira vermelha. Não há garantias em cirurgia plástica. O cirurgião ético sempre conversa sobre possibilidades e limitações.
  • Pressão para decidir rapidamente: Cirurgia plástica é uma escolha eletiva e pessoal — nunca é uma emergência. Uma prática confiável nunca criará urgência artificial em torno da sua decisão. Você precisa de tempo para pensar, pesquisar e se sentir segura.
  • Ausência de informações sobre riscos e complicações: todo procedimento tem riscos, mesmo que pequenos. O cirurgião transparente explica isso com clareza.
  • Falta de transparência sobre custos: embora valores variem conforme a complexidade, é importante que o profissional seja claro sobre o que está incluído no orçamento e sobre eventuais custos adicionais.
  • Falta de clareza sobre formação e credenciais: se o profissional não deixa claro seu CRM, RQE ou vínculo com a SBCP, investigue.

Perguntas frequentes

Como saber se o cirurgião tem título de especialista?

Consulte o site do Conselho Regional de Medicina (CRM) do estado onde o médico atua. No cadastro, você encontra o número do CRM e o RQE (Registro de Qualificação de Especialista). O RQE em Cirurgia Plástica é a comprovação oficial de que o médico tem a especialidade reconhecida.

A SBCP é obrigatória para o cirurgião plástico operar?

Não é obrigatória legalmente, mas verificar se ele é certificado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) é um dos passos importantes para avaliar qualificação. A SBCP exige formação específica, aprovação em provas e manutenção de padrões éticos.

Posso fazer cirurgia plástica em clínica ou precisa ser em hospital?

Depende do procedimento e da estrutura. Membros da SBCP apenas operam em instalações médicas credenciadas. O importante é que o local tenha credenciamento, equipamentos de segurança, equipe treinada e retaguarda para emergências. Na dúvida, pergunte sobre a acreditação do local.

O que perguntar na primeira consulta com o cirurgião plástico?

Pergunte sobre a formação do cirurgião (CRM, RQE, SBCP), onde será realizada a cirurgia, qual tipo de anestesia, quem será o anestesista, quais exames serão necessários, quais os riscos do procedimento, como será o pós-operatório e o acompanhamento. Um bom cirurgião responde tudo com transparência.

A escolha certa faz toda a diferença

Escolher um cirurgião plástico vai muito além de gostar de fotos no Instagram ou de receber uma indicação. Envolve checar credenciais, entender a estrutura onde a cirurgia será feita, conhecer a equipe, ter acesso a informações claras sobre riscos e cuidados.

O Brasil segue entre os líderes mundiais na realização de procedimentos estéticos, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). Mas, antes de decidir pela cirurgia, é importante avaliar fatores que vão muito além do resultado desejado.

Na minha prática, o que mais valorizo é a segurança da paciente e a construção de um resultado natural, que respeite a individualidade de cada pessoa. E isso começa com uma escolha consciente, baseada em critérios técnicos sólidos.

Se você está pensando em fazer uma cirurgia plástica, reserve um tempo para pesquisar, questionar e se sentir realmente segura com o profissional escolhido. Sua saúde e seu bem-estar merecem esse cuidado.

Quer conversar sobre o seu caso? Agende uma avaliação presencial em Curitiba ou online, onde você estiver.

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Dr. Bruno Pagnoncelli
Cirurgião Plástico — CRM-PR 23.223 | RQE 2867
Curitiba – PR

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta
médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um cirurgião plástico. Resultados variam de pessoa para pessoa.